A Steam é a maior loja de jogos do PC, mas os dados que circulam agora mostram que ela também é um dos mercados mais desiguais da indústria. Uma análise envolvendo quase 100.000 títulos revelou que o topo 1% dos jogos da plataforma concentra nada menos que 84,5% de toda a receita estimada. O resto da galera divide as migalhas.
O levantamento foi conduzido por Ichiro Lambe — ex-funcionário da Valve e cocriador do Steam Labs — junto com o engenheiro de software Tim Ermilov e a empresa de análise Totally Human Media. A metodologia usou a quantidade de avaliações de cada jogo multiplicada por um fator de 35 para estimar o faturamento, excluindo títulos gratuitos e conteúdo não relacionado a games para manter a precisão dos dados.
O número que mais choca: metade de todos os jogos pagos lançados na Steam faturou menos de US$ 3.622 ao longo de toda a sua vida útil. Pra piorar, mais de 8 mil títulos pagos analisados nunca receberam uma única avaliação dos usuários — invisíveis desde o dia em que foram publicados.
Do lado oposto, a elite do topo começa a faturar a partir de US$ 15,8 milhões. É um abismo que a quantidade de lançamentos só torna mais fundo: 2024 teve 19.714 novos jogos na plataforma, e 2025 já chegou a 23.107 títulos lançados. Mais concorrência, menos espaço para aparecer.
Um fator novo que agrava tudo isso é a explosão de jogos feitos com inteligência artificial. Outro relatório citado na análise aponta que títulos com IA já representam entre 60% e 90% do crescimento mensal de lançamentos na Steam. O problema é que quase nenhum deles gera receita relevante — a competição interna entre esses jogos é brutal, e a maioria afunda no esquecimento antes mesmo de ser descoberta.
A taxa de publicação na Steam via Steam Direct custa US$ 100 e só é devolvida quando o jogo bate US$ 1.000 em receita ajustada. Só que, segundo dados da plataforma de análise Gamalytic, cerca de 40% dos jogos lançados em 2025 nem esse valor mínimo conseguiram recuperar. São mais de 5.200 projetos que saíram no negativo só neste ano.
A conta é simples e brutal: lançar na Steam nunca foi tão fácil, mas aparecer lá dentro virou uma missão quase impossível pra quem não tem a máquina de marketing de uma grande publisher por trás.



