A noite de gala da nova versão de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada em Londres não saiu como planejado. Na última quinta-feira (15), ativistas dos direitos trans invadiram o tapete vermelho do Palace Theatre bem na hora em que os convidados chegavam para a apresentação especial.
Os manifestantes usavam máscaras e chapéus pra não serem identificados e chegaram a se deitar no chão pra bloquear a passagem. Um deles vestia uma camiseta com a frase Rowling money kills, algo como o dinheiro de Rowling mata em português, numa referência direta à autora da franquia. A segurança do teatro agiu rápido e retirou o grupo do local poucos minutos depois.
O protesto aconteceu justo na estreia da versão remodelada da peça em Londres, que foi condensada numa única apresentação de quase três horas. A produção original, que estreou em 2016, durava mais de cinco horas divididas em duas partes. Entre os convidados famosos que acompanharam a confusão de perto estavam nomes conhecidos da TV britânica, como Vanessa Feltz, Richard Arnold, Anne Hegerty e Angellica Bell.
A fricção entre J.K. Rowling e ativistas trans não é novidade nenhuma. Segundo o The Guardian, a autora doou 70 mil libras à For Women Scotland, organização sem fins lucrativos contrária aos direitos de pessoas trans que contribuiu para a decisão judicial de 2025 no Reino Unido que define gênero pelo sexo biológico. Esse histórico de declarações e apoios financeiros é justamente o que tem alimentado protestos e campanhas de boicote contra a franquia nos últimos anos.
Depois do protesto, o agente de Rowling, Neil Blair, se pronunciou em nome da autora. À Variety, ele disse que respeitam ativismo pacífico e o direito de expressão de opiniões divergentes, mas que esses direitos devem ser exercidos sem colocar outros em risco, incluindo membros do público, atores e funcionários do teatro, como vimos na noite de quinta-feira com os protestos do lado de fora do Palace Theatre em Londres. Ele ainda reforçou que o objetivo da equipe é continuar levando a magia de Harry Potter pros fãs que acompanham o universo há anos.
Vale lembrar que esse não foi o primeiro ato do tipo no mesmo teatro. Já em janeiro, ativistas trans e apoiadores tinham coberto a calçada em frente ao Palace Theatre com mensagens escritas a giz durante outra apresentação da peça, mostrando que a tensão em torno das falas de Rowling sobre identidade de gênero segue longe de esfriar.



