O Bilibili deu um passo sério na corrida global. A plataforma chinesa de streaming — a maior do país para animação japonesa — relançou seu app internacional no Android no dia 19 de agosto de 2026, e desta vez a coisa parece muito mais séria do que as tentativas anteriores.
A mudança mais importante é simples: acabou a obrigatoriedade de verificação de identidade. Antes, quem tentava criar uma conta fora da China precisava enviar passaporte ou documento oficial para poder postar qualquer coisa. Agora basta um e-mail ou número de telefone. Esse era o maior obstáculo para criadores internacionais, e o Bilibili simplesmente tirou ele do caminho.
O app também mistura conteúdo chinês e internacional num único feed, com ferramentas de tradução via IA para quem quiser assistir vídeos em outros idiomas. Um site em inglês ainda está sendo desenvolvido pela empresa. A versão para iOS ainda não tem data confirmada, mas a empresa já avisou que vem em breve.
E o Bilibili não tá só abrindo o app — tá montando estrutura de verdade. A plataforma está contratando gerentes de comunidade em Los Angeles, Londres, Cidade do México, São Paulo, Istambul e Tóquio. Tem vaga também para moderação de conteúdo com IA.
O Google Play já registra mais de 5 milhões de downloads acumulados de versões anteriores do serviço, o que mostra que o interesse sempre existiu. Agora, com as barreiras derrubadas, a plataforma quer capitalizar em cima disso. Segundo dados do terceiro trimestre de 2025, o Bilibili tinha 376 milhões de usuários ativos mensais — um público gigante que a empresa agora quer expandir para fora da China.
Uma das funcionalidades que pode ajudar o app a se destacar é o danmu, o sistema de comentários que aparecem sobrepostos ao vídeo em tempo real, sincronizados ao momento exato da cena. É algo que o YouTube nunca replicou direito, e que cria uma experiência de comunidade completamente diferente — especialmente pra galera de anime e games, que é o DNA histórico da plataforma.
O Bilibili nasceu em 2009 em Xangai como um reduto de anime, quadrinhos e jogos, e cresceu até virar uma plataforma gigante de vídeo. Em 2020, a Sony chegou a pagar cerca de US$ 400 milhões para ficar com quase 5% das ações da empresa. Agora, com esse relançamento, a pergunta que fica é se a plataforma vai conseguir conquistar criadores e espectadores ocidentais de verdade — ou se vai ser mais uma tentativa que não emplacou.



