Mick Gordon não é de ficar em cima do muro, e dessa vez o alvo foi a inteligência artificial. Em entrevista recente à IGN, o compositor por trás da trilha sonora pesada de Doom (2016) e Doom Eternal soltou um sonoro "f##k AI" quando o assunto foi IA na criação musical. Sem papas na língua, como sempre.

Quem segue o trabalho de Gordon sabe que ele não é qualquer nome. Michael John Gordon é compositor, produtor musical, músico e designer de som australiano, e compõe principalmente para jogos. Ele voltou pra série Wolfenstein em 2015 pra assinar a trilha de Wolfenstein: The Old Blood, prequel de Wolfenstein: The New Order, e em 2016 fechou a trilha sonora do reboot de Doom, desenvolvido pela id Software. No ano seguinte, ele também assinou a trilha do game de terror Prey, da Arkane Studios.

Compositor de Doom 2016 detona a IA: "F##k AI"
Imagem: Reprodução/IGN

E não foi pouca coisa o que ele fez em Doom. A trilha ganhou prêmios como o D.I.C.E. Award de Melhor Composição Musical Original, o SXSW Gaming Award de Excelência em Trilha Sonora e o The Game Awards de Melhor Música e Design de Som, além de uma indicação ao BAFTA Games Award de Melhor Música.

Na mesma entrevista pra IGN, Gordon também falou sobre um possível retorno à franquia Doom. Perguntado diretamente se voltaria, ele não hesitou: disse que existem muitas peças que precisariam se encaixar do jeito certo pra isso acontecer, mas que, se acontecesse, ele toparia na hora, sem pensar duas vezes.

Gordon ainda revelou que guarda ideias que nunca usou. Ele contou à IGN que tinha todo um roteiro de coisas que queria tentar depois de Doom Eternal, ideias que nunca ganharam espaço e que ele adoraria explorar um dia.

Só que o futuro da franquia, com ou sem ele, ainda é incerto. A id Software foi um dos estúdios atingidos pelos cortes da Microsoft no Xbox, com 136 funcionários afetados nas demissões de julho. Ou seja, antes de pensar em quem vai compor a próxima trilha, a própria Doom precisa descobrir quem ainda vai estar lá pra fazer o jogo.

De qualquer forma, fica o recado direto de Gordon sobre inteligência artificial na música: pra ele, é f##k AI mesmo, sem meio-termo.