A Xbox está vivendo um dos anos mais turbulentos da sua história, e segundo a própria CEO da divisão, Asha Sharma, boa parte da culpa é de uma aposta que não deu certo: o Game Pass.
De acordo com informações da IGN, Sharma teria dito à equipe internamente que a estratégia anterior do serviço de assinatura jogou a Xbox em uma verdadeira queda livre. A fala ajuda a explicar por que 2026 virou sinônimo de corte de pessoal e fechamento de estúdio dentro da Microsoft.
Essa reviravolta não é novidade pra quem acompanha a saga da Xbox nos últimos meses. A Microsoft estava planejando grandes cortes de empregos conforme a nova CEO reformulava a divisão de games para estancar a queda de receita.
O estopim mesmo veio em julho, quando Sharma publicou um memorando interno chamado Resetting Xbox, direto e sem rodeios. Nele, ela foi bem direta ao dizer que "nosso negócio hoje não é saudável... a gente se espalhou demais". O recado batia de frente com anos de expansão acelerada da marca.
A CEO não poupou números pra justificar o tamanho do problema. Ela revelou que, em um ano típico, a Xbox perdia 64 centavos para cada dólar investido, e apontou margens de lucro apertadíssimas no setor de games, de três a dez vezes menores que as de negócios comparáveis, depois de anos de investimento pesado em Game Pass, lançamentos multiplataforma e aquisições.
O resultado prático foi duro. Cerca de 3.200 cargos estão sendo eliminados em todo o negócio de games entre o anúncio e o fim do ano fiscal de 2027, com aproximadamente 1.600 saindo de forma imediata. Estúdios também mudaram de mãos: Double Fine e Compulsion se tornaram independentes, enquanto Ninja Theory e Undead Labs passaram para novos donos. Por dentro, Sharma também decidiu enxugar a burocracia: a meta é reduzir a estrutura de gestão da Xbox de até 14 camadas para no máximo cinco, idealmente três.
Nem tudo é só corte, porém. Como parte do reset, a gestão de Sharma baixou o preço do Xbox Game Pass Ultimate e encerrou o desenvolvimento do Copilot nos consoles e no aplicativo da Xbox, numa tentativa de reconquistar a confiança de quem joga. Ela também cortou o recurso de IA Gaming Copilot para os consoles, tirou campanhas de marketing antigas do ar e trouxe de volta exclusivos como Gears of War: E-Day.
Fica claro que o Game Pass, que já foi tratado como a jogada mais ousada da Xbox pra brigar com a concorrência, virou o maior símbolo dos excessos que a empresa agora tenta corrigir. Resta saber se o reset de Sharma vai ser suficiente pra tirar a marca da zona de turbulência.



