O State of Play de setembro era pra ser uma vitrine de jogos novos. Mas a Sony esqueceu de avisar os fãs que estavam com o dedo no gatilho — e o chat da transmissão no YouTube e na Twitch virou literalmente um muro de protesto. Desde o primeiro minuto até o último, as mensagens de "NO DISC NO BUY" e "WE WANT DESTINY 3" não pararam de aparecer, enterrando qualquer comentário sobre os jogos que estavam sendo mostrados.
A revolta vem de longe. Em julho de 2026, a Sony anunciou que a produção de discos para novos jogos do PlayStation seria encerrada em janeiro de 2028. Depois dessa data, todos os lançamentos first-party e de terceiros chegarão exclusivamente em formato digital, seja pela PlayStation Store ou via códigos em lojas parceiras. A decisão caiu como uma bomba na comunidade, e os fãs nunca deixaram a empresa esquecer.
O movimento ganhou nome, hashtag e até semanas organizadas de boicote. O #PSBlackout, liderado pelo grupo Does it Play — que defende a preservação da mídia física —, convocou os jogadores a ficarem offline e pararem de comprar jogos durante sete dias inteiros. Petições no Change.org acumularam centenas de milhares de assinaturas pedindo que a Sony dê marcha a ré.
E a segunda frente de guerra é o Destiny 3. Com o Bungie anunciando o encerramento do ciclo principal do Destiny 2, os fãs da franquia foram a campo exigindo que a Sony, dona do estúdio, dê luz verde para o próximo capítulo da saga. Uma petição específica pedindo o desenvolvimento de Destiny 3 chegou a quase 200 mil assinaturas em poucos dias. No chat da Twitch, emotes temáticos da franquia tomaram conta da transmissão junto com os protestos pelo disco físico.
A liderança da Sony não tem ajudado a amortecer o impacto. A CFO Lin Tao confirmou durante a sessão de perguntas e respostas da conferência de resultados do primeiro trimestre de 2026 que a decisão é irreversível. Segundo ela, a companhia vinha estudando a transição há tempos e que o disco físico não é, nas palavras dela, "um fator determinante de diferenciação" para o PlayStation. A declaração foi a primeira resposta oficial da empresa desde o anúncio — e azedou ainda mais o humor de quem já estava na beira do limite.
Com o próximo State of Play na mira, a pergunta que fica é: a Sony vai encontrar alguma maneira de reconquistar a confiança dessa galera, ou os chats vão continuar sendo território de protesto indefinidamente?



