Tem uma série de ficção científica que ficou criminalmente esquecida por boa parte do público e que hoje é tratada como uma das melhores já feitas no gênero. O nome é Fringe, criada por J.J. Abrams junto com Alex Kurtzman e Roberto Orci, e ela estreou na Fox em setembro de 2008, encerrando sua corrida em janeiro de 2013 com cinco temporadas e 100 episódios no currículo.

A premissa é direta: a agente do FBI Olivia Dunham, vivida por Anna Torv, acaba sendo jogada numa divisão ultra-secreta chamada de Fringe Division, que investiga casos que a ciência convencional simplesmente não consegue explicar. Ao lado dela estão Peter Bishop, interpretado por Joshua Jackson, e o pai dele, o cientista Walter Bishop — papel brilhante de John Noble —, um gênio excêntrico que passou anos internado num hospital psiquiátrico e que acaba sendo a chave para desvendar boa parte dos mistérios da série.

X-Files no DNA, Twilight Zone na alma

A comparação com X-Files é imediata e foi intencional. O próprio Abrams citou a série de Chris Carter como uma das inspirações diretas. Assim como Mulder e Scully, Olivia e os Bishop trabalham numa divisão conectada ao FBI investigando anomalias científicas absurdas — teletransporte, mutação genética, reanimação de mortos, você escolhe. Ambas as séries jogam conceitos completamente malucos com uma cara de pau de quem está contando algo totalmente plausível.

Mas Fringe vai além de ser só um clone de X-Files. É onde a influência de Twilight Zone entra em cena. Cada episódio traz um conceito de ficção científica diferente, muitas vezes perturbador, que brinca com os limites do que a gente considera realidade. Universos paralelos viram um elemento central da trama, e a série sabe explorar isso de um jeito que poucos shows televisivos conseguiram.

Abrams ainda bebeu da fonte de escritores como Michael Crichton e de filmes de David Cronenberg para construir aquela atmosfera de ciência empurrada além do limite — a chamada "ciência de fronteira" que dá nome à divisão e à série.

Subestimada na época, cultuada hoje

Fringe sofreu com a concorrência pesada na grade da Fox. Na segunda temporada mudou de horário e foi parar contra Grey's Anatomy e CSI, o que derrubou a audiência. Mas quem acompanhou sabe que a qualidade da série só foi crescendo, especialmente nos arcos mitológicos, que são de enlouquecer.

Hoje a série está disponível no Hulu e no Disney+ para quem quiser maratonar tudo do zero — ou revisitar aqueles episódios que ficaram gravados na memória.