A novela da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery finalmente chegou ao fim. Nesta quarta-feira, a juíza federal Araceli Martínez-Olguín aprovou o acordo entre a Paramount e um grupo de procuradores-gerais estaduais que tentava bloquear o negócio, derrubando o último obstáculo legal para a fusão de US$ 110 bilhões. Com isso, a Paramount já trabalha com a data de 6 de outubro para fechar oficialmente a compra da Warner Bros. Discovery, segundo documentos enviados à Justiça.

O processo começou em julho, quando doze estados liderados pela Califórnia, sob o comando do procurador-geral Rob Bonta, entraram na Justiça alegando que a junção das duas gigantes ia sufocar a concorrência e deixar o público com menos opções, principalmente nos cinemas e na TV por assinatura. A treta rendeu meses de disputa até que, há poucas semanas, as partes fecharam um acordo cheio de contrapartidas: a Paramount se comprometeu a aumentar a produção de filmes nos Estados Unidos pelos próximos cinco anos, destinar milhões de dólares a um fundo para trabalhadores afetados pela fusão e manter uma espécie de supervisão editorial independente na CNN e na CBS News.

Nem todo mundo ficou satisfeito com o acerto. A coalizão Block the Merger, que também entrou na briga contra a fusão, chamou o acordo de fraco demais para conter os efeitos da concentração de poder nas mãos de um conglomerado só. Mesmo assim, a juíza entendeu que os termos representam uma solução "razoável" para o caso e deu sinal verde para o negócio seguir adiante.

Enquanto a poeira jurídica assentava, David Ellison, dono e CEO da Paramount Skydance, aproveitou o embalo para anunciar uma mudança e tanto no comando da empresa. Ynon Kreiz, que estava deixando o cargo de CEO da Mattel depois de oito anos, vai virar co-CEO do conglomerado resultante da fusão ao lado do próprio Ellison. A dupla vai comandar a companhia como um time só, mas com funções bem divididas: Ellison fica com a estratégia de longo prazo, a direção criativa e as relações com talentos, enquanto Kreiz assume a gestão do dia a dia e o trabalho pesado de integrar as duas empresas. Kreiz começa na cadeira nova em 5 de outubro e entra para o conselho quando a fusão for finalizada.

Essa junção é gigantesca até para os padrões de Hollywood. Ela coloca sob o mesmo teto a Paramount Pictures e a Warner Bros., além de serviços de streaming como Paramount+ e HBO Max, e emissoras como CBS, CNN, MTV, TBS, Comedy Central e Food Network. É basicamente reunir metade do catálogo geek do planeta numa empresa só, de Star Trek e Missão Impossível a Harry Potter e DC.

No Brasil, o caminho já estava livre há tempos. O CADE aprovou a fusão sem nenhuma restrição, entendendo que o negócio não representa risco à concorrência no país. Agora, com a barreira judicial americana removida, é questão de dias para o mundo acordar com Paramount e Warner Bros. Discovery sendo a mesma empresa.