O décimo primeiro episódio de Goodbye, Lara chega com uma pancada emocional que a gente não estava esperando — ou talvez estivesse, mas não dessa forma. A série da Kinema Citrus passou a temporada toda construindo o drama de Lara, a sereia que voltou ao mundo dos humanos duzentos anos depois de um amor não correspondido, mas agora é hora de olhar para quem armou esse jogo inteiro: Grace, a bruxa.

E aí o anime faz uma coisa muito inteligente. Antes de qualquer julgamento moral sobre o que Grace fez — e ela fez muita coisa discutível ao longo da série —, o episódio te obriga a entender de onde ela veio. A história dela é praticamente um espelho da de Lara: desceu à superfície, se apaixonou, e quando a poção acabou, tudo desmoronou da pior forma possível. A diferença é que Grace saiu daquela situação com sangue nas mãos e sem a irmã viva para chorar com ela.

Esse flashback é o coração do episódio. Dá peso a um personagem que o show às vezes tratou como peça de xadrez, e entrega algo raro: uma vilã que você entende sem precisar absolver. Grace não é boa nem má — ela é uma mulher que viveu séculos carregando uma dor que o mundo não quis ouvir, porque "bruxa" sempre foi o apelido mais fácil de colar em quem tem poder demais pra ser controlada.

A ANN abriu a crítica do episódio com exatamente essa ideia: o que é uma bruxa senão uma mulher com mais poder e conhecimento do que o mundo aguenta? É uma frase simples, mas ela resume muito do que Goodbye, Lara vem discutindo nas entrelinhas desde o começo.

O episódio ainda fecha com Grace apostando todas as fichas em Mari — a menina humana que a recolheu da vala quando ela era só um peixinho de estimação. É uma aposta bonita e trágica ao mesmo tempo, porque a gente já sabe que Grace pagou um preço altíssimo pra chegar até aqui, e agora só resta esperar que Mari não decepcione.

Com um episódio para o fim, Goodbye, Lara está bem posicionada para entregar um encerramento à altura. O estúdio Kinema Citrus, que assina a animação com aquelas linhas grossas e traço à mão que viraram marca registrada da série, construiu algo genuinamente emocionante — do tipo que faz a gente rever o conto da Pequena Sereia com olhos completamente diferentes.