Se você ainda não leu Marvels, a gente precisa ter uma conversa séria. A minissérie de quatro edições criada por Kurt Busiek e Alex Ross em 1994 é, sem exagero, uma das obras mais importantes que os quadrinhos já produziram — e isso não é opinião nossa, foi o próprio Stan Lee quem disse.
Na introdução da edição coletada, o pai do Universo Marvel descreveu a obra como "inovadora, brilhantemente concebida e habilmente executada", além de afirmar que a série foi "um salto gigante na evolução da literatura ilustrada". Difícil achar elogio mais pesado que esse.
O que faz Marvels tão especial?
A proposta é simples no papel, mas genial na execução. A história acompanha Phil Sheldon, um fotojornalista nova-iorquino comum que registra com a câmera o nascimento da era dos super-heróis — desde o surgimento da Tocha Humana original nos anos 1930 até a morte de Gwen Stacy no começo dos anos 1970. A gente não vê o Universo Marvel pelos olhos do herói. Vê pelos olhos do cidadão assustado, maravilhado e, às vezes, revoltado na calçada.
Busiek fez uma pesquisa histórica minuciosa para conectar eventos dos quadrinhos antigos da Marvel de forma que nunca tinha sido feita antes, criando um painel coerente e emocionante de décadas de histórias. E Alex Ross? Ross chegou com sua arte pintada hiper-realista e simplesmente redefiniu o que quadrinhos podiam parecer. Cada página de Marvels parece uma foto de um mundo que a gente deveria poder tocar.
A recepção foi à altura. A série conquistou três prêmios Eisner em 1994, além de prêmios Harvey no mesmo ano e no seguinte — as maiores honrarias da indústria de quadrinhos. Virou referência instantânea.
Mais de 30 anos depois, Marvels segue sendo o padrão de como contar o Universo Marvel do ponto de vista humano. Tão relevante que em 2026 ganhou uma novelização em prosa escrita por Steve Darnall — o co-criador da proposta original — com arte inédita de Alex Ross. A obra se recusa a envelhecer.



