Pois é, galera, mais um estúdio promissor vira pó. O Nagoshi Studio, fundado pelo lendário Toshihiro Nagoshi, o cara por trás da franquia Yakuza, acabou de ser oficialmente encerrado. A confirmação veio de um jeito bem burocrático: apareceu no Kanpo, o diário oficial do governo japonês, mostrando que a dissolução foi aprovada em assembleia de acionistas no dia 31 de outubro.
O estúdio tinha sede em Shinjuku, Tóquio, e foi criado em novembro de 2021, logo depois que Nagoshi deixou a Sega após trinta anos de casa. A ideia era simples: usar o nome e o talento de um dos criadores mais respeitados da indústria japonesa para fazer jogos de peso, tudo bancado pela gigante chinesa NetEase Games.

O problema é que o dinheiro parou de aparecer. Relatos da Bloomberg já apontavam, lá em março deste ano, que a NetEase planejava cortar o financiamento do estúdio em maio, deixando como alternativa o estúdio seguir sozinho, desde que conseguisse pagar pelos direitos dos ativos e da marca do jogo que estava desenvolvendo. Esse jogo é o Gang of Dragon, um action-adventure ambientado em Kabukicho, o badalado bairro de vida noturna de Shinjuku, bem a cara do universo que Nagoshi ajudou a construir com Yakuza.
O detalhe mais doído da história é que a NetEase teria descoberto que o Gang of Dragon precisava de mais sete bilhões de ienes, cerca de 44 milhões de dólares, para ficar pronto. Foi esse rombo que, segundo informações, selou o destino do projeto e, por tabela, do próprio estúdio. A revelação do jogo no The Game Awards 2025 parece ter sido, visto em retrospecto, uma tentativa de última hora de gerar hype suficiente para a NetEase reconsiderar o corte.
Não rolou. O Nagoshi Studio não conseguiu nem outro patrocinador nem um acordo de saída com a própria NetEase, e agora o futuro do Gang of Dragon fica completamente no ar. Ninguém sabe se o jogo chega a sair algum dia, nem o que vai acontecer com Nagoshi e o restante da equipe, que incluía nomes conhecidos da época de Yakuza, como os produtores Daisuke Sato e Kazuki Hosokawa.
É um fim meio melancólico pra uma história que começou com tanta expectativa. Depois de décadas moldando um dos maiores clássicos dos games japoneses, Nagoshi tentava provar que conseguia repetir a fórmula fora da Sega. Por enquanto, fica só a lição de que nem todo nome grande garante sobrevivência num mercado cada vez mais nervoso com cortes de investimento.



