A NetEase, estúdio chinês que já fez sucesso com Marvel Rivals, acabou de meter mais um jogo gratuito no mercado, e esse aqui virou polêmica antes nem de sair do papel. O nome é ECC: Redline, um battle royale competitivo que mistura tiro tático com esporte radical. Só que, pra boa parte da internet gamer, ele parece Call of Duty: Warzone com roupa nova.

A comparação não é força de expressão. As animações de recarga, o jeito de examinar as armas, o sprint tático, até a paleta visual e a forma como os trailers são apresentados são uma cópia quase idêntica de Call of Duty Warzone, segundo análise do Insider Gaming. A diferença, segundo o próprio material de divulgação, é que o jogo quer nascer com pegada de esporte eletrônico. É o ECC: Redline, afinal, construído com foco em competição, e a NetEase quer que isso vire um título de esports desde o primeiro dia, com mecânicas de esporte radical embutidas na plataforma.

A pegada bate com o histórico da desenvolvedora. A proposta lembra uma combinação entre Warzone e The Finals, e vem dos mesmos criadores de Marvel Rivals. Nos últimos anos, a NetEase vem construindo um catálogo e tanto, com jogos como Marvel Rivals, Where Winds Meet e Once Human, sempre apostando em título gratuito pra atrair o maior público possível. E ECC: Redline chega como um battle royale tático free-to-play com elementos de esporte radical, repetindo a fórmula.

Quem já teve acesso antecipado também reforça o clima de déjà vu. Relatos de quem testou o jogo descrevem uma mistura de influências que vai além de só Warzone, com habilidades de personagem, sistema de compra e venda de equipamento durante a partida e movimentação mais agressiva que o battle royale tradicional. A primeira impressão resumida por um desses jogadores foi direta: o jogo parece Blood Strike, Battlefield e Call of Duty jogados num liquidificador só.

Cópia que incomoda, mas também agrada

Nem todo mundo tá reclamando, porém. Parte dos fãs de Call of Duty anda frustrada com os rumos da franquia, e isso ajuda a explicar por que um clone descarado consegue gerar expectativa em vez de só raiva. Os fãs de Call of Duty ainda estão digerindo a notícia de que a Activision abandonou o Warzone Mobile, o jogo que deveria levar o battle royale pra uma nova era, e esse tipo de tropeço recente deixou a base de jogadores mais aberta a alternativas. Não é a primeira vez que isso acontece: quando rumores de que o Warzone poderia ser descontinuado se a volta do mapa Verdansk não desse certo começaram a circular, muita gente aproveitou pra postar nas redes sociais a própria frustração com o jogo, pedindo até que ele fosse encerrado.

Com esse pano de fundo, não é surpresa que o anúncio do ECC: Redline tenha gerado reação mista. De um lado, a acusação de cópia descarada. Do outro, gente cansada do estado atual de Warzone torcendo pra ver se a NetEase entrega algo divertido, mesmo que inspirado até o último detalhe. Por enquanto, o jogo é free-to-play, ainda sem data de lançamento ou chegada confirmada ao Brasil, e segue em fase de testes fechados.