A Netflix tem esse talento estranho de pegar um filme que a crítica massacrou e transformar ele num fenômeno de público. O Homem que Sussurra é o exemplo mais recente disso. O suspense dirigido por James Ashcroft estreou na plataforma no final de agosto de 2026 com apenas 45% de aprovação no Rotten Tomatoes e saiu de lá como uma das maiores obsessões do ano no streaming.

O filme é estrelado por Adam Scott, o Mark da série Ruptura, no papel de Tom Kennedy, um escritor em luto cujo filho de oito anos desaparece. Para tentar encontrá-lo, ele precisa recorrer ao próprio pai, um ex-detetive aposentado vivido por Robert De Niro. A investigação vai revelando uma conexão sombria com um assassino em série do passado, o tal Homem que Sussurra, interpretado por Michael Keaton. Michelle Monaghan também está no elenco como a detetive que puxa a investigação paralela. O roteiro é adaptação do best-seller homônimo de Alex North, publicado em 2019, e tem a produção dos irmãos Russo — os mesmos da era Vingadores — por trás.

Os críticos foram duros: roteiro previsível, clichês empilhados, personagens rasos. Mas o público simplesmente não ligou. Na primeira semana, o filme registrou 23 milhões de visualizações. Na segunda, já eram 33 milhões. Hoje, O Homem que Sussurra acumula 67 milhões de visualizações e só não lidera o ranking geral porque A Última Casa, o suspense de ficção científica com Wagner Moura e Greta Lee, está chegando perto dos 80 milhões e segura o primeiro lugar.

Não é a primeira vez que isso acontece, e provavelmente não vai ser a última. O público da Netflix tem um apetite enorme por suspense criminal com elenco de peso, mesmo que o produto final não seja lá grande coisa. O Homem que Sussurra entrega exatamente isso: nomes conhecidos, clima tenso e uma história de desaparecimento que prende mesmo sendo previsível.