Cara, GTA 6 já é tratado como o maior lançamento da história dos games antes mesmo de chegar nas lojas. Mas enquanto a Rockstar e a Take-Two se preparam pra faturar bilhões, quem deu vida e voz aos personagens pode nem ver a cor desse dinheiro todo.

O assunto voltou à tona depois que Manni L. Perez, apontada (sem confirmação oficial) como a atriz por trás de Lucia, fez uma live explicando por que não costuma aparecer muito nas redes. Segundo relatos sobre a transmissão, ela precisou deixar claro que continua sendo uma pessoa comum, que cozinha a própria comida e dirige um carro usado, porque muita gente passou a achar que ela tinha ficado rica só por estrelar o jogo mais esperado da década.

A explicação pra isso está na forma como a indústria dos games historicamente paga seus atores e dubladores. Diferente do cinema e da TV, onde existem os famosos residuais, uma fatia da receita que o ator recebe conforme o produto continua rendendo, no mundo dos games o pagamento costuma ser só por sessão gravada, sem percentual nenhum sobre as cópias vendidas.

O sindicato americano SAG-AFTRA até define valores mínimos pra essas sessões. Em uma tabela que valeu entre novembro de 2024 e novembro de 2025, uma sessão de quatro horas com até três personagens tinha piso de US$ 1.102, mas isso é só um chão: o valor final depende de cada contrato fechado. E o próprio sindicato confirma que não existe um direito residual tradicional ligado ao desempenho comercial dos jogos, embora alguns acordos específicos possam prever compensação extra por várias sessões de gravação.

O caso de GTA não é novidade. Atores que deram vida a personagens icônicos da franquia, como Niko, Michael, Franklin, Trevor, John Marston e Arthur Morgan, nunca receberam fortunas proporcionais ao sucesso estrondoso dos jogos que ajudaram a construir. Boa parte deles não eram grandes nomes de Hollywood antes dos papéis, o que facilitou contratos mais baratos, e os acordos da Rockstar simplesmente não incluem royalties.

Tem até uma explicação histórica pra esse modelo ter pegado. Em 2005, quando esse tipo de prática começou a se firmar, o mercado de games global girava em torno de US$ 11 bilhões, uma fração perto dos mais de US$ 100 bilhões movimentados pelo cinema na época. Como o setor ainda não tinha o peso financeiro que tem hoje, os residuais nunca viraram padrão por aqui, e as campanhas de marketing dos jogos também davam pouco destaque pro elenco, o que reforçou essa lógica de pagamento fixo.

Ou seja, mesmo que GTA 6 bata recordes de vendas e vire o fenômeno bilionário que todo mundo espera, o elenco que emprestou rosto e voz pros personagens provavelmente vai continuar recebendo só o que foi combinado lá no início das gravações. Nada de participação nos lucros.