A Sony parece estar mesmo desistindo do sonho da realidade virtual. Segundo registros do escritório de patentes dos Estados Unidos, a empresa vendeu mais de 40 patentes relacionadas a VR para a Meta, a gigante por trás do Facebook e dos headsets Quest.
O movimento foi identificado pela ZDNet Korea e depois repercutido pelo site Road to VR. De acordo com os documentos, a Sony transferiu 43 patentes de tecnologia VR, AR e XR só entre junho e setembro deste ano. E não para por aí: existe um acordo de cessão confirmatória prevendo a transferência de cerca de 419 patentes globais para a Meta, sendo 180 delas registradas nos Estados Unidos. O restante está espalhado entre Japão, China, Coreia, Europa e outras regiões.
Isso bate com o que a gente já vinha percebendo há um tempo. O PlayStation VR2 chegou ao mercado em fevereiro de 2023 com bastante alarde, mas o suporte de primeira parte da Sony nunca decolou de verdade. A própria empresa publicou apenas dois jogos originais pra o headset: Horizon Call of the Mountain, que serviu de carro-chefe no lançamento, e Firewall Ultra, desenvolvido pela First Contact Entertainment.
A crítica até elogiou o hardware na época, reconhecendo o salto técnico em relação ao PSVR original de PlayStation 4. O problema foi o resto do pacote. Falta de compatibilidade com os jogos do headset anterior, preço salgado e um mercado de VR que nunca engrenou de fato acabaram afastando o público.
Em 2024 o PSVR2 ganhou suporte pra PC, mas precisava de um adaptador específico pra funcionar, e muita gente leu isso como mais um sinal de que o headset tinha deixado de ser prioridade dentro da Sony. Enquanto isso, a Meta segue investindo pesado no setor, inclusive com um novo modelo de óculos de VR anunciado para 2027, numa tentativa de deixar o formato mais leve e parecido com um óculos comum.
Fica difícil não ler a venda dessas patentes como o fechamento de um ciclo. A Sony não cancelou oficialmente o PlayStation VR2 nem anunciou o fim da linha, mas os sinais todos apontam pro mesmo lugar: a realidade virtual deixou de ser aposta estratégica pra gigante japonesa, pelo menos por enquanto.



