Um ex-desenvolvedor da Echtra Games foi lá no portfólio pessoal e subiu um vídeo que ninguém esperava ver: gameplay real de Star Wars Magellan, o RPG de ação cancelado que nunca chegou a ter nem nome oficial.
O material foi descoberto e reportado pelo MP1st, que manteve o dev no anonimato pra protegê-lo de uma possível briga com a Zynga e sua controladora, a Take-Two. Faz sentido, porque o que rolou ali foi basicamente jogar luz num projeto que a empresa preferia manter enterrado.
O que era o Magellan, afinal?
A Echtra Games — fundada por Max Schaefer, um dos criadores do Diablo original — ficou quatro anos desenvolvendo o jogo sob o guarda-chuva da Zynga, que adquiriu o estúdio em 2021. O projeto era uma parceria com a NaturalMotion, outra subsidiária da Zynga com experiência na licença Star Wars. Em nenhum momento o game foi anunciado ao público. E quando a Echtra foi fechada em junho de 2025, 61 pessoas foram mandadas embora sem ter lançado absolutamente nada.
O codinome Magellan era um action RPG multiplayer em terceira pessoa, rodando em Unreal Engine 5, com plataformas-alvo PC, PS5 e Xbox Series X/S. O esquema era looter shooter cooperativo, com três classes jogáveis: um Jedi (focado em combate corpo a corpo, sabre de luz e poderes da Força), um Mandaloriano (blaster e jetpack) e um Caçador de Recompensas. O footage vazado mostra exatamente isso — combate caótico, bases imperiais, stormtroopers e droids enormes tomando tiro de todo lado.
Tinha ainda um sistema de vínculos com NPCs no plano, o que sugeria que o jogo teria uma camada de RPG mais profunda do que um simples mata-mata cooperativo. Parecia ambicioso. E é exatamente esse "parecia" que dói.
Mais um na lista dos cancelados
O Magellan entra numa fila macabra de jogos Star Wars que morreram antes de chegar ao público. O Project Ragtag da Visceral Games, o remake de Knights of the Old Republic da Aspyr e um suposto jogo do Mandaloriano da Respawn são outros exemplos de projetos que simplesmente evaporaram. A tensão entre a Lucasfilm Games, as exigências de licenciamento da Disney e as reestruturações constantes das publishers é um padrão que não para de se repetir.
A Take-Two tem usado o discurso de "realinhamento estratégico" pra explicar fechamentos de estúdios ao longo de 2024 e 2025 — e a Echtra foi mais uma vítima disso. Quatro anos de trabalho, um jogo que parecia genuinamente interessante e o resultado foi zero. Só um vídeo de portfólio que vazou pra internet contar a história.



