A Sony pode ser forçada a abrir o PlayStation para lojas rivais — e a galera já está sonhando com a Steam no PS6. Dois processos judiciais na Europa estão colocando pressão séria no modelo de distribuição digital da empresa japonesa, que hoje obriga os jogadores a comprar tudo exclusivamente pela PlayStation Store.

No Reino Unido, a Sony responde por uma ação coletiva que representa cerca de 12 milhões de consumidores e pede mais de £ 2 bilhões em indenizações. O argumento é que a empresa abusou da sua posição dominante no mercado de conteúdo digital do PlayStation. O julgamento já terminou em maio de 2026, mas o Competition Appeal Tribunal ainda não bateu o martelo — a decisão pode demorar mais alguns meses.

Na Holanda, a campanha "Fair PlayStation" vai além das indenizações. O processo, encabeçado pela fundação Stichting Massaschade & Consument, mira diretamente a comissão de 30% que a Sony cobra sobre toda venda digital na PS Store e as cláusulas que impedem editoras de vender seus jogos por outras plataformas dentro do console. A estimativa de dano aos consumidores holandeses passa de 400 milhões de euros. A lógica é simples: sem concorrência, os preços só sobem — e quem paga é quem joga.

O paralelo mais óbvio aqui é o processo da Epic Games contra a Apple e o Google, que forçou a empresa de Cupertino a permitir lojas alternativas no iPhone em alguns mercados. Se os tribunais europeus entenderem que a Sony opera da mesma forma ilegal, a empresa pode ser obrigada a replicar esse movimento no PlayStation — abrindo caminho para que a Steam ou qualquer outra loja digital opere nos consoles.

A campanha Fair PlayStation já acumulou mais de 20 mil assinaturas de apoio antes mesmo de o caso avançar no mérito. O tribunal holandês ainda precisa decidir questões preliminares — como se a fundação tem legitimidade para representar os jogadores — antes de julgar o fundo da questão. Ou seja, decisão rápida está fora de cogitação.

Nos Estados Unidos, a Sony já fechou um acordo em 2025 por cerca de US$ 7,8 milhões para encerrar uma ação semelhante, mas sem admitir qualquer irregularidade. O cenário europeu é bem mais pesado, e o desfecho pode redesenhar como a indústria de consoles distribui jogos digitais no mundo todo.