O governo Trump está avaliando mais uma rodada de tarifas, dessa vez mirando produtos que usam chips fabricados fora dos EUA. Notebooks, consoles de videogame e servidores de data center estão todos na lista. A informação veio do site americano Politico, que ouviu fontes próximas à administração dizendo que o objetivo é aplicar as tarifas o quanto antes.

A ideia por trás da medida é pressionar as empresas de tecnologia a trazerem a produção de chips para o território americano. O Secretário de Comércio dos EUA chegou a defender que isenções tarifárias fossem vinculadas a investimentos estrangeiros em fábricas de chips dentro do país. Soa bonito no papel, mas a realidade é bem mais complicada.

Taiwan sozinha responde por mais de 90% da produção mundial de semicondutores avançados, e construir uma fábrica de chips do zero leva anos — às vezes décadas. Ou seja, mesmo que as tarifas incentivem investimento doméstico, a dependência de fornecedores asiáticos não vai sumir da noite pro dia.

O timing é delicado. A Intel revelou que pode pausar ou até encerrar o desenvolvimento dos seus chips de processo 14A caso não consiga fechar contratos com clientes externos de foundry significativos. A tecnologia, que promete ganhos expressivos de eficiência em relação à geração anterior, dependeria de pedidos sólidos pra virar produção em larga escala — e esses pedidos, por enquanto, não apareceram.

No mercado de componentes, o cenário já estava tenso antes mesmo dessa nova movimentação tarifária. A adoção massiva de memórias RAM pelos servidores de inteligência artificial criou uma escassez que elevou os preços do componente e puxou junto o custo de SSDs e outros itens de armazenamento. Notebooks e desktops sentiram no bolso.

Sony e Nintendo já repassaram parte dos custos de tarifas anteriores para os consumidores na forma de aumentos de preço — e agora enfrentam ações judiciais por causa disso. Se a nova proposta avançar e sofrer contestação judicial, o mercado pode entrar em mais um ciclo de instabilidade sem nenhuma garantia real de que isso vai resultar em produção americana de chips.