The Umbrella Academy é uma daquelas séries que parece ter caído do céu pra galera que cresceu ouvindo My Chemical Romance e lendo quadrinhos de super-heróis mais sombrios. E a conexão entre essas duas coisas é muito mais profunda do que aparece na superfície.
Gerard Way, vocalista e co-fundador do MCR, criou os quadrinhos de The Umbrella Academy em 2007 ao lado do ilustrador brasileiro Gabriel Bá. A obra ganhou o Eisner Award — que é tipo o Oscar dos quadrinhos — e chegou à Netflix em fevereiro de 2019, rodando por quatro temporadas até o encerramento da série.
O que muita gente não sabe é que Way citou abertamente Alan Moore e Watchmen como influências centrais na criação da história. Ele teve uma conexão tão profunda com a obra de Moore que a experiência de ler Watchmen moldou não só o jeito que ele pensa sobre quadrinhos, mas também a própria identidade do MCR. A banda inclusive foi parar na trilha sonora do filme Watchmen de 2009, fechando um ciclo muito particular pra Way.
Essa influência aparece em cada canto da série: o jeito de desconstruir o arquétipo do super-herói, colocar esses personagens em situações psicologicamente pesadas, explorar os lados mais sombrios de quem tem poderes mas não tem estrutura emocional pra lidar com isso. É exatamente o que Watchmen fez com a DC nos anos 80, só que aqui com a estética esfumaçada e ligeiramente caótica que marca o universo criado por Way.
A influência do MCR também estava presente o tempo todo na produção. Com Way como produtor executivo, o tom da série bebe direto do universo visual e emocional da banda — aquela mistura de humor negro, família disfuncional e drama exagerado que lembra muito mais Tim Burton do que os blockbusters da Marvel.
A quarta e última temporada foi a escolha consciente do elenco de encerrar a história, segundo a atriz Ritu Arya em entrevista à People. A pandemia e as greves em Hollywood esticaram o intervalo entre temporadas a quase um ano cada, e a equipe entendeu que prolongar mais seria insustentável. O showrunner Steve Blackman até sinalizou que uma quinta temporada seria possível, mas o time preferiu fechar o ciclo com dignidade.
O resultado final é uma série que funciona como uma ponte rara: quem chegou pelo MCR descobriu Watchmen, quem chegou pelos quadrinhos descobriu a banda, e quem chegou pela Netflix acabou ficando pelos dois.



