A Build A Rocket Boy, estúdio por trás de MindsEye, parece estar vivendo seus últimos dias. Uma nova leva de demissões veio à tona em setembro de 2026, e dessa vez os próprios funcionários não deixaram dúvida sobre o clima: publicações de despedida no LinkedIn se espalharam e fontes ouvidas pelo Kotaku confirmaram o encerramento definitivo das atividades.

O responsável pelo RH do estúdio, Dan Hawkins, foi um dos que se manifestou. Ele disse que vai continuar no cargo até o fim para ajudar a "concluir tudo" — esse tipo de frase, vindo de um gerente de RH, não costuma deixar muita margem pra interpretação. Outros quatro funcionários também anunciaram publicamente o fim do vínculo com a empresa. Não há confirmação oficial por escrito, sem comunicado e sem pedido formal de falência identificado até agora.

A queda de um projeto ambicioso

MindsEye chegou ao mercado em 10 de junho de 2025 para PS5, Xbox Series X|S e PC, sem cópias antecipadas para a imprensa — já um sinal de alerta. O jogo foi liderado por Leslie Benzies, ex-produtor da Rockstar Games e um dos nomes mais associados ao sucesso da série Grand Theft Auto. A expectativa era enorme. A realidade, muito menos.

O lançamento foi um desastre técnico: travamentos, bugs sérios, problemas de desempenho, IA falha e um mundo aberto considerado subaproveitado. No Metacritic, a versão de PC ficou com 39 pontos e o PS5 com apenas 29. A PlayStation chegou a reembolsar parte dos compradores.

Desde então, o estúdio — que já chegou a ter mais de 500 funcionários — passou por quatro rodadas de cortes. A primeira, logo em julho de 2025, eliminou cerca de 300 postos. Vieram mais cortes em março e em maio de 2026, esse último acompanhado do fechamento da operação francesa. A onda desta semana é a quarta, e a primeira em que os próprios trabalhadores falam abertamente sobre o fim da empresa.

Promessas que ficaram pelo caminho

Mesmo com toda a turbulência, a Build A Rocket Boy tentou salvar MindsEye. Em abril de 2026, prometeu novas missões, conteúdo para o modo ARCADIA e multiplayer. Em julho, a Update 8 trouxe cross-play, multiplayer e até um modo chamado Grenade Football, além de novas ferramentas de criação. O site oficial ainda descrevia o projeto como uma "experiência em constante evolução".

O estúdio também esteve envolvido numa disputa trabalhista com o Independent Workers' Union of Great Britain (IWGB), com alegações de jornadas excessivas e monitoramento abusivo de funcionários. Benzies e o co-fundador Mark Gerhard chegaram a afirmar que o jogo foi vítima de uma campanha organizada de sabotagem envolvendo criadores de conteúdo e empresas rivais — sem apresentar provas públicas disso.

O jogo ainda segue à venda por US$ 34,99 na Steam e os servidores continuam no ar, sem prazo informado para desligamento. Por quanto tempo isso vai durar, só o tempo vai dizer.