A Crunchyroll decidiu que não quer mais só reclamar da pirataria — ela quer estrutura de guerra mesmo. A plataforma de streaming de anime anunciou a criação de um departamento inteiro de Proteção de Conteúdo e Antipirataria, e já está procurando um VP para assumir o comando da operação.
A vaga não é qualquer cargo. O profissional vai responder diretamente ao diretor jurídico da empresa e terá a missão de montar do zero a estratégia global contra a distribuição não autorizada de animes e obras japonesas. Isso inclui definir investimentos, tecnologias, parceiros externos e toda a estrutura operacional do setor.
E a parte mais interessante: IA entra pesado nessa equação. A Crunchyroll quer usar inteligência artificial para rastrear sites ilegais, identificar conteúdo distribuído sem licença e coordenar ações com outras plataformas, fornecedores e até processadores de pagamento para cortar o acesso financeiro de quem vive de piratear anime.
Esse movimento acontece num contexto bem mais amplo. A CODA, principal organização antipirataria do Japão, já vinha atuando no Brasil com a chamada Operação Animes. A primeira fase da ação resultou no fechamento de 36 sites piratas no país, que juntos somavam cerca de 83 milhões de acessos mensais. Uma segunda fase, em 2024, derrubou mais 16 sites com aproximadamente 21 milhões de acessos por mês. Quem tentava entrar nesses domínios passou a ver uma mensagem simples: "esse site foi fechado devido a violações de direitos autorais".
A Crunchyroll, que nasceu em 2006 justamente como uma plataforma onde usuários faziam upload não autorizado de animes e depois migrou para o modelo de licenciamento oficial, agora está no outro lado da mesa — e com bastante dinheiro da Sony por trás para levar isso a sério.



