O décimo episódio de Goodbye, Lara joga uma pergunta incômoda bem na sua cara: e se Lara nunca tivesse tido chance alguma desde o começo?
A série da Kinema Citrus — criada para celebrar os 15 anos do estúdio e disponível no Crunchyroll — é uma releitura moderna de A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen. Lara é uma sereia que virou humana e foi viver com Mari Otsu, uma boxeadora do ensino médio, enquanto tenta encontrar o amor verdadeiro para salvar os seus. O problema é que, durante todo esse tempo, ela estava procurando pelo tipo certo de amor no lugar errado.
A sacada do episódio é exatamente essa. Lara passou séculos obcecada com a mesma experiência amorosa que viveu no século XVIII, quando se apaixonou por um príncipe. Toda a busca dela por Luca carregava esse molde: o amor romântico heteronormativo que ela conhecia. Só que quando o próprio pai de Lara a confronta e pede que ela pense de verdade em quem ela ama, o rosto que aparece não é o dele. É o de Mari.
Isso não significa que o amor de Lara por Luca é mentira. O episódio deixa claro que os sentimentos dela são reais e complexos. A famosa faca do coração — que já ativou duas vezes na série, uma contra Kota e outra contra Luca — segue sendo um termômetro interessante dessas emoções. A reação envolvendo Luca faz sentido dentro do trauma dela, uma percepção de rejeição que ressoa com o passado. Mas Kota? Aí a teoria que fica no ar é se existe aí um reflexo do amor de Lara pela irmã Lisa.
O que o episódio faz bem é não resolver nada com facilidade. Lara está sendo forçada a encarar que passou todo esse tempo procurando um amor que já conhecia, quando o que ela sentia de forma mais genuína estava do seu lado o tempo todo. É o tipo de reviravolta emocional que funciona porque a série foi construindo essa tensão sem pressa.
Goodbye, Lara estreou em julho de 2026 e é dirigida por Takushi Koide, com roteiro de Anna Kawahara. A série está disponível no Crunchyroll com dublagem em inglês.



