A EA não é mais uma empresa de capital aberto. No começo de agosto de 2026, a gigante dos games fechou sua venda por nada menos que US$ 55 bilhões — o maior leveraged buyout da história da indústria — para um consórcio formado pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita, a firma de private equity Silver Lake e a Affinity Partners, empresa do genro de Donald Trump, Jared Kushner. O PIF ficou com a fatia principal: 93,4% da EA. A Silver Lake pegou 5,5% e a Affinity, 1,1%.
A EA saiu da Nasdaq e virou empresa privada do dia pra noite. E aí começa o problema pra quem torce por Mass Effect 5.
O jogo da BioWare já vinha numa situação delicada. Segue em pré-produção desde pelo menos 2022, sem previsão de lançamento — rumores falam em 2028 ou 2029, no melhor cenário. No N7 Day de novembro de 2025, a BioWare teve que soltar uma nota garantindo que o projeto ainda estava vivo. Michael Gamble, diretor do game, chegou a dizer que a equipe estava "ocupada demais trabalhando" pra dar atualizações. Oito anos de espera e o máximo que a galera tem é uma arte conceitual.
Agora soma isso à aquisição saudita e o nervosismo vai às alturas. A Arábia Saudita criminaliza relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, e Mass Effect é uma franquia historicamente inclusiva, com opções de romances entre personagens do mesmo gênero desde Mass Effect 3. Patrick Weekes — que assina como Trick Weekes e foi escritor da BioWare de 2005 a 2025, tendo sido o escritor-chefe de Dragon Age: The Veilguard — expressou preocupação direta nas redes sociais, brincando numa postagem que os novos donos querem "armas e futebol" e perguntaram "esse negócio gay, a gente pode tirar?".
A EA, por outro lado, tentou acalmar os ânimos com uma nota oficial, prometendo que vai "manter o controle criativo" e que seu "histórico de liberdade criativa e valores centrados no jogador permanecerão intactos". Bonito no papel, mas a comunidade não está comprando fácil.
O ex-produtor executivo da BioWare Mark Darrah, que trabalhou em Dragon Age Origins, Dragon Age II e Inquisition, também falou sobre o assunto, mencionando que a chegada dos novos donos levanta dúvidas reais sobre cortes e até sobre o futuro da BioWare como estúdio. A previsão é que o negócio se consolide completamente no primeiro trimestre de 2027.
O que acontece com Mass Effect 5 daqui pra frente é uma incógnita enorme. A franquia que colocou diversidade e escolha no centro da narrativa de RPG agora pertence, em sua maioria esmagadora, a um fundo ligado a um país que pune relações homoafetivas. A promessa de "controle criativo" vai ser testada na prática — e os fãs vão estar de olho em cada detalhe.



