A Sony jogou a bomba e sumiu. Depois de anunciar o fim dos discos físicos para novos jogos PlayStation a partir de janeiro de 2028, a empresa ficou 6 dias em silêncio nas redes sociais sem comentar nada. Quando voltou a postar — promovendo o novo controle arcade FlexStrike — levou uma enxurrada de 47 mil comentários de jogadores furiosos.

A comunidade não estava de brincadeira.

A petição que não para de crescer

A "Don't Kill the Disc" já ultrapassou 165 mil assinaturas no Change.org e segue crescendo. O pedido é direto: que a Sony reconsidere a decisão e mantenha a opção de mídia física para quem quiser. O argumento central é um que muita gente conhece bem — quando você compra um disco, o jogo é seu de verdade. Quando compra digital, a empresa pode revogar o acesso quando bem entender.

E a Sony acabou de dar um exemplo concreto disso: a empresa confirmou que vai remover 551 filmes do catálogo digital de quem pagou por eles, sem reembolso, com retirada prevista para setembro. Os dois anúncios chegaram juntos e deram a munição perfeita para quem já desconfiava do modelo 100% digital.

A fábrica que já está se preparando para o fim

Lá na Áustria, em Thalgau, a empresa DADC fabrica cerca de 600 mil discos por dia para o PlayStation. Com o anúncio da Sony, o CEO Dietmar Tanzer foi direto: a expectativa é que a produção caia para 10% do volume atual a partir de 2028.

A Sony já investiu US$ 30 milhões em novos equipamentos na fábrica para migrar o foco de produção para outras tecnologias. Não é uma decisão sendo considerada — é uma decisão já em execução.

O que a Sony diz

A empresa não se pronunciou diretamente sobre a petição ou as críticas. A justificativa continua sendo a mesma do anúncio original: 78% das vendas de jogos no PlayStation já são digitais, chegando a 85% no primeiro trimestre de 2026. Para a Sony, é só acompanhar o mercado.

O problema é que os 15% a 22% que ainda compram físico incluem exatamente o público mais fiel — colecionadores, quem mora em regiões com internet precária, quem quer revender os jogos depois de terminar.

Em 2021 a Sony recuou. Vai recuar de novo?

Quando a empresa tentou fechar as lojas do PS3 e PS Vita em 2021, a pressão da comunidade foi suficiente para fazê-la mudar de ideia. Dessa vez os sinais são outros — a fábrica já está se adaptando, os equipamentos já foram comprados, a decisão parece firme.

Mas com 165 mil assinaturas e 47 mil comentários de protesto numa única postagem, a Sony vai precisar explicar mais do que números de mercado para convencer a comunidade.