A Capcom tem uma meta ambiciosa: lançar um Resident Evil por ano. Mas como fazer isso sem enlouquecer as equipes de desenvolvimento? O produtor Masachika Kawata, que está à frente de Resident Evil: Code Veronica, explicou tudo numa entrevista ao Game Informer — e a resposta é mais simples do que parece: remakes.

Desde o surgimento da RE Engine com Resident Evil 7, a Capcom emplacou seis títulos ao longo de quase dez anos, alternando entre três remakes e três jogos novos. Kawata foi direto ao ponto: produzir um título inédito da série todo ano seria uma "tarefa difícil". Desenvolver algo do zero tem uma complexidade completamente diferente de retomar uma base que já existe e reconstruí-la.

Os remakes, então, entram exatamente nessa brecha. Eles permitem que a Capcom mantenha o ritmo anual de lançamentos sem comprometer a qualidade dos títulos novos — e, segundo Kawata, sem tratar os projetos remakados como de segunda categoria. Pra ele, eles recebem o mesmo nível de dedicação e importância dentro da empresa que qualquer título inédito.

O ciclo que banca a franquia

Tem outro lado dessa equação que pouca gente fala: a grana. Os remakes vendem muito, e esse dinheiro financia o resto. O remake de Resident Evil 2 já passou de 18,3 milhões de cópias, enquanto o de Resident Evil 4 bateu 13,6 milhões de unidades. São números absurdos, e eles criam um ciclo financeiro saudável que sustenta não só os novos jogos da franquia, mas projetos ainda mais ousados — como Pragmata, IP completamente nova da Capcom.

Kawata resumiu bem: a Capcom teve a sorte de encontrar um ciclo que continua gerando recursos pra crescer. Revisitar clássicos, portanto, não é falta de criatividade — é estratégia. E, pelo jeito, uma estratégia que está funcionando muito bem.