Tim Sweeney não deu trégua pra Valve esse fim de semana. O chefão da Epic Games voltou a atacar a política da Steam que obriga os estúdios a avisar quando usam inteligência artificial generativa nos jogos, chamando a exigência de abominável e dizendo que ela força os desenvolvedores a fazer uma declaração política.
A treta começou quando Sweeney respondeu a um post de Matt Workman, cara que trabalha numa empresa de mídia generativa chamada Fal. Workman defendeu que esse tipo de aviso não faz mais sentido nenhum em 2026 e chamou a postura da Valve de constrangedora. Sweeney concordou na hora e foi além, comparando o rótulo de IA a obrigar o desenvolvedor a revelar em quem ele vota.
Nas palavras do próprio Sweeney, forçar os desenvolvedores a escrever uma declaração política que pode ser usada contra eles pela multidão de ódio que a própria Valve ajuda a organizar é abominável. Ele ainda botou a boca no trombone sobre dinheiro, dizendo que além dos 30% que a Steam já fica com cada venda, a exigência de aviso de IA tira uma fatia ainda maior da renda e do sustento dos desenvolvedores, porque alimenta campanhas de ódio contra quem usa a tecnologia.
Esse discurso não é novidade. Lá em junho, em entrevista pra PC Gamer, Sweeney já tinha comparado o aviso de IA da Steam a uma carta escarlate e disse que a prática torna muito, muito mais difícil pra um desenvolvedor ter chance de sucesso. Desde novembro do ano passado ele já batia nessa tecla, alegando que a inteligência artificial vai estar envolvida em praticamente toda produção de jogos no futuro, então não faria sentido marcar cada título que usa a ferramenta.
A ironia é que a própria Epic não escapa dessa lógica. A Fab, plataforma de assets da empresa pra desenvolvedores, também exige disclosure de conteúdo feito com IA. Quando alguém apontou essa contradição pra Sweeney, ele argumentou que muitos clientes da Fab operam sob contratos que exigem saber a origem de todo conteúdo do jogo, incluindo contratos da própria Steam que ele tanto reclama, e por isso não podem comprar os assets sem essa informação. Só que, se é razoável avisar o desenvolvedor sobre o que ele está comprando, fica estranho dizer que é inaceitável avisar o jogador sobre o que ele está jogando.
Vale lembrar que a própria Epic tem abraçado a inteligência artificial com tudo recentemente, usando a tecnologia na Unreal Engine, no Fortnite e até no novo launcher da loja, que a empresa admitiu ter sido feito com ajuda de IA. A Valve, por sua vez, mantém a política firme desde 2024: quem usa IA generativa no jogo, seja pra criar arte, texto, música ou outros assets, precisa declarar isso na página da loja, explicando como a ferramenta foi usada.
Pra quem acompanha a rivalidade entre Epic Games Store e Steam, essa não é a primeira nem deve ser a última vez que Sweeney sobe no palco pra criticar a concorrente. Mas enquanto ele reclama de política, a Valve segue irredutível: o aviso de IA continua lá, pra quem quiser ver antes de comprar.



