É difícil começar essa análise sem dizer isso, mas eu nunca vi um jogo bom ser tão bombardeado negativamente na internet como o que aconteceu com Marvel's Wolverine. Cada vídeo, streamer e outro falando tantas coisas sem sentido. Mas entendo também que às vezes é uma forma de surfar na onda de "falar mal" pra ganhar views e engajamento.
Mas enfim, vamos falar do jogo, que é o que importa. Marvel's Wolverine se passa em um universo no qual os X-Men ainda não existem, apesar de diversas referências ao longo do jogo a personagens famosos da franquia, algo que pode passar despercebido caso você não conheça um pouco da história dos mutantes. Jogamos, obviamente, com Wolverine, que não se recorda de nada além dos últimos 30 anos, desde quando Nathaniel Essex o "encontrou" perdido e selvagem. Essex é o líder da Equipe X, que conta com Mística e Dentes de Sabre, além do Wolverine e Walter, um mutante com Gene X desativo que faz parte do grupo. Com o objetivo de buscar um mundo melhor para os mutantes, essa premissa inicial escala de uma forma sem precedentes, e viajamos pelo mundo enfrentando Trask, Tentáculo e Sentinelas. E apesar de ter bastante referências ao Instituto Xavier e ao X-Men, dá pra ver que em diversos detalhes a Equipe X passa bem longe dos heróis mutantes que conhecemos.
Outra personagem importante, que tem até certo protagonismo no game, é a Jean Grey. Uma das mutantes mais fortes da Marvel não escondeu todo o seu poder e mostrou a que veio. Seria até complicado pra Insomniac, ao decidir colocar a Jean nesse jogo, não se perder um pouco diante do poder gigantesco da personagem, e acredito que não se perdeu, apesar de que, em alguns momentos, até parece que ela é uma coprotagonista. Cheguei a imaginar que em algum momento jogaríamos com ela, um pouco como acontece com a Mary Jane em Marvel's Spider-Man. Mas particularmente isso não me incomodou nem um pouco, afinal, como eu disse, é uma das mutantes mais fortes que existem, então é normal que ela salve o Logan em alguns momentos.
Pontos positivos
É a primeira vez que a Insomniac troca o swing pelas ruas de Nova York do Homem-Aranha por um combate corpo a corpo mais linear e focado, e o resultado é um jogo extremamente divertido. A movimentação fluida do Wolverine, a capacidade de escalada, as animações animalescas e o combate agressivo e violento são daqueles em que cada finalização te deixa abismado com a brutalidade, o que não poderia ser diferente vindo de um cara com esqueleto de adamantium e garras extremamente afiadas. Eu imaginava que seria um jogo mais fácil, visto as reviews pré-lançamento, mas não foi o que senti: jogando no modo normal, se você vacilar diante de vários inimigos, ou até mesmo inimigos mais fortes como os tanks e mini chefes, e não usar os parries e esquivas, morre fácil. Contra chefes é a mesma coisa: apesar de compensar ser agressivo com a maioria dos inimigos, vale usar as esquivas e parries, porque uma sequência de golpes pode te matar rapidinho.
A história segue coesa, sem furos e interessante do começo ao fim. Com o passar do tempo, você vai descobrindo mais sobre o passado de Logan e recuperando memórias antigas. Essas memórias são recuperadas em mini desafios espalhados pelas missões, trazem diversos pontos legais da história do Logan em seus mais de 100 anos, e é importante fazer todos eles, pois no fim se conectam inteiramente com a história principal do game, algo que achei bem interessante. E é justamente por essa forma como as pontas se conectam no fim, explicando o passado e o presente dos personagens e ainda deixando brechas para o futuro, quem sabe um segundo jogo do Wolverine, do X-Men ou até uma DLC, que a história desse jogo funciona tão bem. Boa parte da negatividade que rolou por aí, aliás, não se sustenta quando você realmente joga e vê a história se fechar dessa forma.
A direção de arte das cutscenes é boa, os gráficos, as animações e as expressões faciais bem feitas, junto com cenários bem detalhados, são o grande ponto alto desse jogo.
Pontos negativos
Os desafios espalhados pelo jogo, passar por obstáculos em certo tempo, derrotar tipos específicos de inimigos, e até um estilo roguelike que vai eliminando hordas e deixando escolher melhorias, apesar de divertidos, trazem pouquíssimo desafio real pra conseguir a pontuação mais alta, "adamantium": a maioria você consegue de primeira ou, no máximo, na segunda tentativa.
Voltando a falar do combate: apesar dos upgrades que ajudam a diversificar um pouco, no fim do jogo ele pode ficar meio cansativo, porque a fórmula de combate não varia com consistência suficiente pra você sentir que está fazendo algo diferente. Isso incomoda ainda mais perto do final, quando você já enfrentou os mesmos tipos de inimigo tantas vezes que a repetição fica mais evidente, não que a variedade de inimigos seja pouca a ponto de incomodar por si só, mas ela soma junto com o combate repetitivo nessa reta final. O que salva isso é o tamanho curto do jogo, mas isso também é, ao mesmo tempo, um problema.
A grande crítica a esse jogo, e com a qual concordo 100%, é que o custo-benefício atual não é bom. A campanha, com cerca de 15 horas, é o grande ponto fraco do game, apesar de eu achar que essa duração curta acaba salvando o jogo, porque quando o combate sem muitas variações começa a incomodar, o jogo já está terminando. Mas isso não pode ser justificativa pra um jogo full price e triple A. Nada justifica pagar R$ 400 na versão mais básica por apenas 15 horas de jogatina; buscando a platina, você gasta no máximo umas 20 horas, o que fica muito abaixo do valor cobrado por esse jogo.
Já num problema mais técnico, e aqui a culpa é mais da Sony e da Marvel do que do desenvolvimento ou dos dubladores em si, está a questão da dublagem. Ela é boa e consegue passar a emoção dos personagens em diversos momentos, mas peca bastante na não tradução dos nomes dos personagens: ouvir o Wolverine falando "Mystique" ao invés de "Mística", ou "Sabertooth" ao invés de "Dentes de Sabre", incomoda bastante em vários momentos. Assim como também rolou com Marvel's Spider-Man.
Conclusão
Foi um jogo com o qual me diverti bastante. A história te deixa curioso do começo ao fim, os personagens são bem desenvolvidos, tem referências pra quem curte a saga mutante, o combate é divertido, e a apresentação (gráficos, animações e cenários) está entre o melhor que o jogo entrega.
Apesar de uma campanha curta e uma dublagem que pode incomodar um pouco, é um jogo que compensa jogar, claro, não com o preço de lançamento, mas com certeza vale colocar no radar pra quando vier uma promoção. Pelo menos se divertir destruindo inimigos com as garras do Wolverine, você com certeza vai.
Minha nota leva em conta principalmente a experiência e a diversão que o jogo entrega enquanto se joga, a história, o combate e a apresentação, mais do que a duração ou o preço de lançamento, que trato como um problema separado de "vale a pena comprar agora". Por isso a nota final não despenca apesar das ressalvas acima.
Nota final: 8.5



